Linha do Tempo

1851 a 1900

A cidade do café

1854

Publicidade do Grande Hotel da
Paz, situado na Rua São Bento

Na segunda metade do século XVIII, junto com os estrangeiros que chegam, São Paulo passa a ser contemplada com os serviços de hospedagem e são inaugurados os Hotéis Paulistano (Rua São Bento), do Comércio (Rua Floriano Peixoto), da Providência (Rua do Comércio) e Universal (Pátio do Colégio). O Universal, de propriedade de um francês, ficou conhecido por servir elegantes ceias. Já o Hotel do Comércio ficava aberto até mais tarde para refeições nos dias de função no teatro.

1858

Esse ano, além de marcar a inauguração do Cemitério da Consolação, é também importante pelo início do serviço de tílburis de aluguel dirigido pelo italiano Donato Severino. Os carros ficavam perfilados no largo da Sé e a tabela de preços já distinguia trajetos feitos dentro do núcleo histórico, ou seja, "dentro das pontes" e fora delas. A falta de preparo dos cocheiros levou a Câmara Municipal a determinar que eles deviam ser aprovados e ter matrícula na polícia. No ano anterior, foi proibido aos sapateiros, alfaiates e outros que trabalhavam nos passeios que dispusessem bancos e objetos que pudessem "ofender o trânsito".

1860

Começam a se instalar em São Paulo casas comerciais de origem estrangeira. Para Marisa Midori Deaecto, isso marca o momento em que a praça paulista adquire sua independência em relação aos negociantes localizados na corte. Uma dessas lojas, a terceira livraria da cidade, inaugurada em 1860, era de propriedade de Anatole Louis Garraux e, além de ser um ponto de encontro da intelectualidade, passou a ser conhecida como a "livraria da Academia Jurídica de São Paulo".

1863

Largo dos Piques em São Paulo,
no ano de 1862, em imagem de Militão

A atual Rua 24 de Maio teve sua abertura autorizada em abril de 1863, como passagem entre o Largo dos Curros (atual Praça da República) e o Morro do Chá. Seu nome relembra um episódio da Guerra do Paraguai (1864-1870) ocorrido no dia 24 de maio de 1866, a "Batalha do Tuiuti". Nessa época, a rua terminava na altura da Rua Conselheiro Crispiniano. Apesar de já ser conhecida como Rua 24 de Maio por volta de 1879, foi somente no ano seguinte que sua ligação até a Avenida Ipiranga foi concluída, com a demolição de duas casas que impediam seu prolongamento. Dezenas de anos depois, em 1974 foram inaugurados os “calçadões” da Rua 24 de Maio, bem como os de outras ruas do chamado “centro novo”, como a Barão de Itapetininga, D. José de Barros, Marconi e Conselheiro Crispiniano.

1867

É realizada a viagem inaugural da São Paulo Railway Company, responsável pela Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, de propriedade do Barão de Mauá. O entorno da estação passou por muitas modificações a começar pelo fato de que parte do tereno do Jardim da Luz foi cedido para a instalação da primeira estação. A ferrovia também contribuiu para a crescente elitização do bairro de Santa Ifigênia, onde fazendeiros e imigrantes enriquecidos ergueram imponentes residências. As obras de melhorias públicas foram se sucedendo: em 1880 a rua da estação foi calçada pelo sistema de macadames. Até o final do século, as demais ruas também receberam calçamento, sendo outras totalmente ampliadas. Nas proximidades do Bom Retiro, as mudanças provocaram a instalação de diversos estabelecimentos comerciais, armazéns e depósitos nos bairros do entorno. A proximidade com a linha férrea também atraiu diversas indústrias, interessadas na facilidade de transporte de matérias-primas e mercadorias.

1870

Rua do bairro do Cambuci, onde se
sobrepõem os diversos tempos da cidade,
às vésperas do ano 2000.
Acervo Museu da Pessoa / Foto de
André Perazzo

É constituída em Londres a São Paulo Gas Company, que obtivera a concessão para prestar serviços em São Paulo. Para isso, escolheu, na entrada do Brás, um local para a instalação do gasômetro. Em 1872, o gasômetro passou a fornecer gás para os lampiões da cidade, que ao final do ano já somavam 700 unidades. Também nesse ano, a 1º de julho, a Companhia Carris de Ferro de São Paulo implanta a linha de bondes puxados por burros em São Paulo, com seis carros. Há um plano de estender os serviços até a Estação do Norte, que seria inaugurada a 8 de julho de 1877. A Estrada de Ferro do Norte que fará a ligação ferroviária entre São Paulo e o Rio de Janeiro dá ao Brás duas novas novas funções: comercial e industrial.

1872

Nesse ano, João Theodoro Xavier assume a Presidência da Província e realiza diversas obras na cidade, entre elas o calçamento de paralelepípedo no núcleo central da cidade, a criação da Escola Normal, em 1874, e a edificação da Cadeia Pública. João Theodoro foi também o reponsável pela drenagem e saneamento da região do atual Parque Dom Pedro II, permitindo a ligação da Zona Leste ao núcleo central da cidade. A atual Praça da República, que teve vários nomes, tais como Largo dos Curros, quando ali se realizavam touradas e corridas de cavalo; Praça dos Milicianos, quando se realizavam exercícios militares; Largo 7 de Abril, quando servia ao treinamento de cocheiros, foi delimitada. Em 1889, finda a monarquia, mudou novamente de nome, passando à sua atual denominação.

1873

No dia 31 de março, ocorreu a cerimônia de início da construção da Estrada de Ferro do Norte, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Seu maior entusiasta foi Clemente Falcão de Sousa Filho, que articulou as ações do poder público e reuniu acionistas para o projeto. Quatro anos mais tarde, os trilhos já chegavam à cachoeira na divisa com o Rio de Janeiro. Bastava aos passageiros atravessarem o Rio Paraíba de balsa e acomodarem-se nos trens da Estrada de Ferro D. Pedro II, para seguirem viagem para a Corte. Em 1890, a Estrada de Ferro do Norte, cuja estação principal ficava no Brás, foi encampada pelo governo central e, somada à D. Pedro II, passou a chamar-se Estrada de Ferro Central do Brasil.

1878

Cruzamento da Alameda Northman com
Glete, nos Campos Elísios, já no ano
de 2012. Acervo Museu da Pessoa / Foto de
Arnaldo Pereira

Origem do bairro de Campos Elísios, que se destacou na paisagem da incipiente metrópole por ser um dos primeiros empreendimentos imobiliários planejados de São Paulo. Os bem-sucedidos fazendeiros, desejosos de prolongar suas estadias na cidade, aproveitaram áreas livres próximas à Estação da Luz para construir suas residências. Sua origem está na antiga Chácara Mauá, também conhecida como Chácara Charpe ou Sharpe, adquirida no ano de 1879 pelo alemão Victor Nothmann e pelo suíço Frederico Glette. Com a sua ampliação, diversas outras chácaras da região foram adquiridas e seus terrenos loteados e modificados para a constituição de arruamentos e praças. Apesar de predominantemente residencial, o projeto urbanístico assinado por Hermann von Puttkamer previa também espaços para instalação de comércios e indústrias.

1879

Mapa da cidade de São Paulo produzido em 1877 e
reeditado por ocasião das comemorações do IV
Centenário do município

Embora a determinação da Câmara date de 1879, a escolha do terreno para o Matadouro Municipal foi definida apenas em 1884 - um local então conhecido como Rincão do Sapateiro, devido à proximidade com o Córrego do Sapateiro. O período de obras durou até 1887 quando se deu a inauguração do edifício construído em tijolos aparentes projetado por Alberto Kuhlmann. O antigo matadouro, localizado na região central de São Paulo, se utilizava da proximidade com o Ribeirão Anhangabaú para escoar os dejetos resultantes de sua atividade. Isso tornava insalubre a vida dos habitantes na capital. Em 1885, uma linha de bondes foi instalada no atual Largo Senador Raul Cardoso realizando o transporte de pessoas e mercadorias da Vila Mariana em direção ao centro da cidade. Com isso, a região começou a ser povoada.

1882

Começaram as operações da Cia. Cantareira de Águas e Esgotos, empresa que daria início ao fornecimento de água encanada diretamente nas residências, eliminando a necessidade de chafarizes e postos, essenciais até então. Em 1884, é fundada a primeira associação de auxílio mútuo de negociantes paulistas. Dos 39 fundadores, somente oito eram estrangeiros recém-instalados na capital, de acordo com Marisa Midori Deaecto.

1886

Término da construção da Hospedaria dos Imigrantes, destinada a receber os imigrantes que entravam em São Paulo como trabalhadores assalariados em oposição ao trabalho escravo. O local substitui a antiga e pequena instalação existente no bairro do Bom Retiro. Construída pelo Conde de Parnaíba, ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a hospedaria permitia o alojamento dos estrangeiros recém-chegados para, em seguida, serem levados às regiões agrícolas do interior ou trabalharem nas incipientes fábricas paulistas. Em 1978, é transformada em Museu da Imigração e, em 1998, passou a abrigar o Memorial do Imigrante.

1890

Inauguração do Mercado de Verduras no bairro de Santa Ifigênia. Localizado na esquina da Ladeira de São João com a Rua do Seminário, seu objetivo era atender a população da região que, somada à da Freguesia da Consolação, abrigava quase a metade da população de São Paulo. Somente em 1933 foi inaugurado o Mercado Central da Cantareira, substituindo o da rua do Seminário.

1894

É fundada a Associação Comercial de São Paulo em 7 de dezembro por um grupo de empresários paulistas liderados por Proost Rodovalho com a denominação de Associação Comercial e Agrícola de São Paulo. Um levantamento de 1895 relata 52 indústrias instaladas em São Paulo, entre têxteis, serrarias, fundições, fábricas de cerveja, de chapéus e de fósforos. Nesse cenário, os estrangeiros e em especial os italianos, destacavam-se como trabalhadores colaboradores do processo de industrialização da cidade.

1897

Criação da paróquia de São José de Belém, que dá nome ao distrito do Belenzinho, criado dois anos depois, desmembrado do distrito do Brás. O Belenzinho passou a ser efetivamente ocupado apenas na segunda década do século XX, quando assumiu o perfil que lhe seria característico atualmente, o de bairro industrial. No mesmo ano, ocorreu a construção do Mercado do Brás, localizado no Largo da Concórdia, que foi substituído mais tarde, em 1914 pelos mercados livres, as feiras.

1899

Fundada a São Paulo Light and Power Company Limited, empresa canadense de energia, transporte e telefone. Em 1901, sob sua direção, entrará em funcionamento a primeira linha de bondes elétricos. Sete anos antes, em 1892, foi inaugurado o Viaduto do Chá, obra do engenheiro Jules Martin. A Baronesa de Itapetininga, dona da chácara que ficava na entrada, contesta a obra. Só saiu após julgamento; sua casa foi demolida.